EP — Valorizar não significa segregar!

11 de fevereiro de 2026

A intervenção do ministro da Educação, Ciência e Inovação na apresentação dos 400 centros tecnológicos especializados, sobre a valorização do ensino profissional, aparentemente mobilizadora, assenta numa visão meritocrática em que se atribui o insucesso escolar e social ao aluno, ilibando o Estado de qualquer responsabilidade.  Ora, valorizar o ensino profissional (EP) não pode significar hierarquia de percursos educativos, limitação de horizontes ou condicionalismos de expectativas tendo por base a origem social dos alunos. Pelo contrário!

Ao enfatizar conceitos como empreendedorismo, criatividade ou aluno empreendedor, aquele que consegue superar todos os obstáculos, Fernando Alexandre ignora-se, deliberadamente, o peso das desigualdades socioeconómicas estruturais que condicionam os percursos educativos. A narrativa do aluno empreendedor, resiliente, que tudo supera, é uma falácia típica da lógica meritocrática, que serve apenas para desresponsabilizar o Estado e transferir para os indivíduos a culpa pelo seu fracasso escolar e social. Quando se ignoram as condições de partida — pobreza, precariedade, falta de apoio familiar, escolas subfinanciadas —, o resultado é sempre o de maior desigualdade, agora legitimada por este discurso moralizador. E isto é profundamente ideológico!

Esta visão reaviva, naturalmente, o modelo da criação de dois tipos de escola — uma destinada às elites, orientada para o ensino superior; outra que encaminha precocemente alunos para o mercado de trabalho aqueles provenientes de contextos socioeconómicos mais desfavorecidos. Este último modelo — que condiciona as ofertas educativas em função das necessidades das empresas locais — é claramente incompatível com uma Escola Pública democrática e inclusiva.

Para a Fenprof, valorizar o ensino profissional (EP) não pode significar hierarquia de percursos educativos, limitação de horizontes ou condicionalismos de expectativas tendo por base a origem social dos alunos. Pelo contrário! Deve garantir que esta via de ensino seja uma opção valorizada, de qualidade, integrada num sistema educativo que assegure a todos os alunos igualdade de oportunidades, liberdade de escolha do seu percurso e acesso a um futuro digno. Ao longo dos anos, a Fenprof tem afirmado que a Escola Pública necessita de investimento consistente e continuado nos seus profissionais, nas condições de trabalho, nos recursos pedagógicos e no apoio efetivo aos alunos. Sem esse investimento, qualquer discurso sobre inovação ou empreendedorismo não passa de retórica vazia. A educação pública deve ser um instrumento de justiça social e de emancipação, não um mecanismo de reprodução das desigualdades. Uma escola verdadeiramente democrática é aquela que não separa nem seleciona, mas que inclui, apoia e emancipa.


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